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Archivos de Pediatría del Uruguay
Print version ISSN 0004-0584On-line version ISSN 1688-1249
Abstract
ARCE, Manuela et al. Adolescência e doença inflamatória pélvica: desafios diagnósticos e terapêuticos na prática pediátrica. Arch. Pediatr. Urug. [online]. 2026, vol.97, n.1, e301. Epub June 01, 2026. ISSN 0004-0584. https://doi.org/10.31134/ap.97.1.6.
Introdução:
a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma infeção do trato genital superior que pode comprometer o útero, as trompas de falópio ou os ovários. A adolescência é um reconhecido fator de risco para o seu desenvolvimento. Na maioria das vezes, é secundária a uma infeção de transmissão sexual (ITS). Os germes mais frequentemente implicados são: Chlamydia Trachomatis (CT) e Neisseria Gonorrhoeae (NG). O seu diagnóstico requer um elevado índice de suspeita. Baseia-se na presença de dor pélvica ou leucorreia, febre, leucócitos e germe característico no exsudado vaginal. O risco de complicações agudas e/ou crônicas é alto; o tratamento antibiótico precoce é fundamental para evitá-las.
Objetivos:
descrever a abordagem integral de uma adolescente com dor pélvica secundária a DIP assistida num centro hospitalar pediátrico público de referência no Uruguai.
Caso Clínico:
paciente de 14 anos, sexo feminino. Iniciou relações sexuais aos 13 anos, com múltiplos parceiros sexuais. Uso irregular de método de barreira. Consulta por dor abdominal hipogástrica com 5 dias de evolução, náuseas e vômitos. Leucorreia mucopurulenta, sem odor nem prurido. Às 72 horas, apresentou temperatura axilar até 39. Sem outros sintomas. Exame Físico: Abdómen plano, tenso no hipogástrio, dor difusa à compressão superficial e profunda. Sem defesa ou contratura. Exame Genital: Vulva e vagina sem lesões. Colo do útero macroscopicamente saudável. Leucorreia esbranquiçada, não fétida. Ao toque vaginal, colo do útero posterior, 2 centímetros de comprimento, fechado. Útero em anteversão-flexão, sem dor à palpação bimanual. Sem dor à lateralização cervical. Fundo de saco de Douglas livre e indolor. Dos estudos realizados, destacam-se: glóbulos brancos 15.000/L, Neutrófilos 10.000/L proteína C reativa156mg/dL. Exsudado Vaginal: NG positivo. Negativo para CT e Trichomonas. Recebeu anti-inflamatórios não esteroides, ceftriaxona, metronidazol e doxiciclina intravenosa durante 14 dias.
Conclusões:
a dor pélvica é um motivo de consulta frequente na adolescência; a equipe de saúde deve estar familiarizada com a sua abordagem. A DIP é uma das suas possíveis causas. É importante manter um elevado índice de suspeita perante a presença de fatores de risco e leucorreia associados à dor pélvica. O diagnóstico é fundamentalmente clínico e com confirmação microbiológica. A antibioticoterapia precoce é crucial para evitar complicações a curto e longo prazo.
Keywords : Doença Inflamatória Pélvica; Adolescente; Dor Pélvica.












