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Ciencias Psicológicas

On-line version ISSN 1688-4221

Cienc. Psicol. vol.15 no.2 Montevideo Dec. 2021  Epub Dec 01, 2021

http://dx.doi.org/10.22235/cp.v15i2.2111 

Artigos Originais

Resiliência individual e familiar e o papel das redes de apoio em vítimas de acidente de trânsito: uma revisão integrativa

Erika Guimaraes Soares De AzevedoAndrade1 
http://orcid.org/0000-0003-4816-9393

Maria Angela Mattar Yunes2 
http://orcid.org/0000-0002-4653-3895

Leonardo Fernandes Martins2 
http://orcid.org/0000-0002-0941-6294

1 Universidade Salgado de Oliveira, Brazil, soareserika@yahoo.com.br

2 Universidade Salgado de Oliveira, Brazil

Resumo:

Esse estudo tem por objetivo apresentar uma revisão integrativa de literatura para analisar o estado da arte de pesquisas publicadas sobre processos de resiliência individual/familiar e redes de apoio em vítimas de acidente de trânsito na situação pós acidente. As bases utilizadas foram PsycInfo, PubMed, Web Of Science e SciELO com os descritores: resiliência; acidentes de trânsito; redes de apoio e resiliência familiar. Foram encontrados 12 artigos como resultado da análise completa dessa revisão. Os achados demostraram escassez de estudos que relacionam simultaneamente: resiliência, acidentes de trânsito, redes de apoio e resiliência familiar. Ademais, grande parte das pesquisas sobre acidente de trânsito possui foco na prevenção. Consideradas as limitações encontradas sugere-se que maior número de pesquisas seja realizado em contextos pós acidente para possibilitar o desenvolvimento de políticas públicas com vistas a melhor qualidade de vida dessa população.

Palavras-chave: resiliência; resiliência familiar; acidente de trânsito; rede de apoio; revisão integrativa

Os acidentes de trânsito configuram um problema de consequências graves em todo o mundo (World Health Organization, 2018). Os altos índices de vítimas fatais ou gravemente lesionadas vêm aumentando anualmente (Guest, Tran, Gopinath, Cameron, & Craig, 2016a). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) os acidentes de trânsito são responsáveis pelas mortes de 1,2 milhões de pessoas e cerca de 30 a 40 milhões ficam seriamente feridas a cada ano em todo mundo (World Health Organization, 2018). Esses dados se replicam de maneira exponencial no território brasileiro onde a violência no trânsito é motivo de preocupação. Desta forma, órgãos federais, tais como o Ministério da Saúde e o Ministério do Desenvolvimento Regional, reconhecem o tema como um problema de saúde pública (Cavalcante, Morita, & Haddad, 2009; Costa & Araújo, 2019).

Frente a esse cenário, pesquisas nacionais e internacionais têm se dedicado a evidenciar os aspectos preventivos dos acidentes de trânsito (Chu, Wu, Atombo, Zhang, & Özkan, 2019; Moraes, Cunha, & de Andrade, 2019; Rosenbloom & Perlman, 2016; Sommer et al., 2008; Twisk, Bos, & Weijermars, 2017). Tais investigações têm por foco os comportamentos individuais ou traços de personalidade que precedem os acidentes de trânsito e que, por vezes, geram consequências drásticas na qualidade de vida pessoal, familiar, profissional e social dos envolvidos (Guest et al., 2016a; Rosenbloom & Perlman, 2016; Suriá, 2015).

Apesar da relevância social e científica do tema, é notória a carência de pesquisas com foco nas experiências de adaptação positiva e resiliência em fase pós-acidente. Ademais, a perspectiva individualista das investigações limita a compreensão ecológica, sistêmica e relacional do fenômeno da resiliência (Daly, 1999). Portanto, justifica-se a elaboração de estudos de revisão integrativa de literatura que retratem o cenário científico de pesquisas sobre resiliência em vítimas e famílias de acidentados de trânsito na relação com as redes apoio. Importante compreender como essas investigações são elaboradas, organizadas e publicadas aos longos dos últimos 10 anos. Dessa forma, espera-se que os resultados possam subsidiar políticas públicas de atendimento e suporte às intervenções junto a essas populações a partir dos dados encontrados.

Diante disso, o presente estudo tem por objetivo investigar o estado da arte das pesquisas que tratam das vivências e processos de resiliência em acidentados de trânsito com sequelas permanentes e em suas famílias, e identificar o papel das redes de apoio em um contexto pós acidente. Assim, além de contribuir para elaborar o desenho, implementação e execução de programas de intervenção positivas para essas populações, poder-se-á oferecer subsídios para um modelo de práticas de atendimento profissional com foco no empoderamento e resiliência dos vitimados e de suas famílias.

A imprevisibilidade de um acidente de trânsito ocasiona no indivíduo e em suas famílias múltiplas situações de estresse e sofrimento que podem desencadear sensações de vulnerabilidade, mudanças contextuais e incapacidade de lidar com o momento (Alves, 2017). Sob a perspectiva de que esses fatores configuram situações de risco, é que se discute e estuda o fenômeno da resiliência (Masten, 2014; Rutter, 2012; Walsh, 2005a; Yunes, Pietro, Silveira, Juliano, & Garcia, 2015).

A resiliência como um fenômeno humano é compreendida como produto dinâmico e resultante da interação de situações de risco e elementos de proteção. Os avanços contemporâneos dos estudos acerca de resiliência têm por base o movimento da Psicologia Positiva (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). É consenso entre os estudiosos do assunto que a resiliência se define como um sistema dinâmico de desenvolvimento que possibilita que indivíduos, famílias e comunidades se reorganizem de forma saudável e ressignifiquem situações de sofrimento e adversidades (Masten, 2014; Pacico & Bastianello, 2014; Yunes, 2003, 2015).

Muitos estudos no campo das ciências da saúde compreendem a resiliência como um traço de personalidade ou até mesmo como uma característica neuropsicológica do indivíduo e, portanto, passível de mensuração (Bonanno, 2004). Tais medidas normalmente unidimensionais tendem avaliar condições estáveis do sujeito em um determinado momento e não os processos contextuais, relacionais e dinâmicos que o fenômeno apresenta (Reppold, Mayer, Almeida, & Hutz, 2012). Em contrapartida, outros pesquisadores do assunto desenvolvem estudos com foco em processos, percepções, análises de sentidos obtidos a partir procedimentos metodológicos qualitativos e relatos de experiências e histórias de vida (Masten, 2014; Rodrigo, 2010; Rutter, 2012; Walsh, 1996, 2005a, 2016; Yunes, 2003, 2015; Yunes & Szymanski, 2003). Os resultados dessas pesquisas evidenciam a família como importante elemento da rede de apoio social para promoção de processos de resiliência (Queiroz et al., 2016; Srinivas Goli, Siddiqui, & Gouda, 2018; Wu, 2011; Zanelato, 2008).

Dentre os pensadores da resiliência em famílias, destaca-se o pioneirismo da pesquisadora Froma Walsh e seu modelo teórico já reconhecido há mais de 20 anos (Walsh, 1996). De acordo com Walsh (2016), a resiliência familiar refere-se à capacidade do sistema familiar resistir, recuperar-se das adversidades e fortalecer-se com mais recursos. A autora afirma que mais do que lidar ou sobreviver a uma provação, a resiliência familiar envolve a adaptação positiva do grupo com resultados de transformação pessoal, relacional e um crescimento construído através da experiência e das aprendizagens. Nessa perspectiva, os estudos voltados para os processos de resiliência em famílias buscam focar e identificar os aspectos sadios e de sucesso do grupo familiar como uma unidade, em vez de apontar seus desajustes e déficits (Walsh, 2005b, 2016; Yunes, Garcia, & Albuquerque, 2007). Trata-se de evidenciar aspectos que propiciam às famílias não só enfrentar situações de sofrimento ou crises, mas de saírem mais fortalecidas dos momentos traumáticos (Walsh, 1996, 2016; Yunes, 2015; Yunes, Mendes, & Albuquerque, 2005).

No que se refere às pesquisas com vítimas e famílias que passaram por acidentes de trânsito, os resultados evidenciam que os vínculos de amizade e o suporte social na comunidade são elementos fundamentais para a promoção de resiliência (Queiroz et al., 2016; Srinivas Goli et al., 2018; Wu, 2011; Zanelato, 2008). Para além desses estudos Chouinard, Melançon e Mandeville (2012) trabalharam com pacientes gravemente lesionados em acidente de trânsito e em processo de reabilitação. Esses pesquisadores identificaram que elementos como a espiritualidade e a constante busca de significados para os eventos da vida contribuem para ativação dos processos de resiliência por promoverem sentimentos como esperança e bem-estar no indivíduo e na família.

De acordo com Amparo, Galvão, Alves, Brasil e Koller (2008), os processos de resiliência estão intimamente ligados às redes de apoio social, que representam fator importante para a promoção de cuidado, proteção e empoderamento do indivíduo diante de situações de sofrimento vivenciadas. Esses processos, segundo Walsh (2016) tornam-se mais propícios e efetivos quando existe a presença das redes de apoio e proteção.

Squassoni e Simões Matsukura (2014) afirmam que a rede de apoio pode ser caracterizada como um trabalho ou comportamentos que um grupo de pessoas exerce em relação a um indivíduo em um contexto de vulnerabilidade. Essas pessoas podem estar em contextos mais próximos, tais como familiares, amigos, vizinhos, ou até serem pessoas mais distantes, muitas vezes desconhecidas. Ademais, Juliano e Yunes (2014) em seus estudos verificaram que as redes de apoio são promotoras de proteção e exercem um papel fundamental na ativação de processos de resiliência e desenvolvimento do indivíduo e comunidades.

Um estudo realizado por Queiroz et al. (2016), demonstrou evidências positivas de que as redes de apoio contribuem para a promoção de processos de resiliência em vítimas e famílias que passaram por acidentes de trânsito, e que tiveram sequelas físicas e psicológicas graves. Cavalcante et al. (2009) apontam para a importância de promover e implementar estratégias que tenham como o objetivo minimizar os efeitos relacionados ao trauma do acidente. Dessa maneira, verifica-se a necessidade de investir na capacitação das redes de atendimento ao acidentado bem como valorizar e dar suporte a rede de apoio social.

Estudos internacionais como de Tavernier et al. (2017) também evidenciaram que a rede de proteção como o apoio social é amplamente reconhecida como promotora de resiliência em vítimas de acidentes de trânsito e apontam para a importância de possibilitar a integração dos familiares nos processos de cuidado. Deve-se ressaltar também a relevância dos laços de apego, que consequentemente fazem com que a vítima se sinta cuidada e apoiada. Pesquisadores da Noruega, Itália, Turquia e Grécia realizaram uma revisão de literatura em que os estudos demonstravam a necessidade de se publicar pesquisas capazes de fornecer um mapeamento das redes de atendimento às vítimas de acidentes de trânsito em diferentes contextos mundiais. Os resultados demonstram que a falta de integração entre os sistemas e redes de atendimento e apoio social a essas vítimas impactam de maneira negativa e significativa na qualidade de vida, expectativas futuras e na reabilitação dos acidentados (Üzümcüoğlu et al., 2016).

Diante da temática apresentada, essa pesquisa buscou identificar o cenário das publicações que evidenciam as manifestações e os processos de resiliência tanto em vítimas, gravemente lesionadas como em suas famílias e o papel das redes de apoio no contexto pós acidente de trânsito. Espera-se que os resultados deste estudo possam provocar reflexões teóricas e metodológicas acerca de resiliência como fenômeno humano, comunitário e político para que seja viável contribuir com conhecimento científico que indique novos caminhos e estratégias para futuras pesquisas, intervenções e políticas públicas.

Método

O presente estudo foi realizado de julho a dezembro de 2019 e teve como base metodológica as diretrizes para revisão integrativa de literatura segundo Whittemore e Knafl (2005) que consiste em 5 estágios.

Estágio 1: Identificação do problema/questão de pesquisa

A questão a ser trabalhada neste estudo é analisar qual o estado da arte das pesquisas já publicadas relacionadas aos processos de resiliência individual e familiar e das redes de apoio de vítimas de acidente de trânsito no contexto pós acidente.

Estágio 2: Busca na literatura

A coleta de dados desse estudo foi realizada a partir de fontes secundarias, provenientes de um levantamento bibliográfico. As bases de dados utilizadas foram: PsycInfo (APA), PubMed, Web of Science e Scientific Electronic Library Online (SciELO).

De acordo Rocha, Ferreira e Vieira (2018), a forma mais eficaz de se encontrar sinônimos para as palavras chaves é a partir da thesaurus relativa a cada base de conhecimento. Nesse estudo, o recurso empregado foi a utilização do banco de terminologias e vocabulário controlado para identificação dos termos de busca, incluindo o Thesaurus of Psychological Terms da PsycInfo, Medical Subjetc Headlines Terms da PubMedd e os descritores em saúde da Biblioteca Virtual em Saúde. Conforme apresentado na Tabela 1, foram utilizados os seguintes descritores e suas combinações nas línguas portuguesa e inglesa: resiliência, resiliência familiar, acidente de trânsito e rede de apoio.

Tabela 1: Os quatro elementos de pesquisa em língua portuguesa e inglesa, e os thesaurus identificados nas bases de conhecimento analisadas 

Nota: Não foram identificados thesaurus nas bases Web of Science e SciELO.

Após identificação dos thesaurus nas bases analisadas, e considerando os termos mais utilizados no campo palavras-chave das publicações relacionadas ao objetivo da pesquisa, chegou-se a uma relação de sinônimos. Foi elaborada uma lógica básica de busca para a realização das pesquisas avançadas em que os elementos do estudo e seus sinônimos fossem conectados por operadores booleanos conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1: Elementos da pesquisa (conectados pelo operador AND) e, quando aplicável, seus sinônimos / thesaurus (conectados pelo operador OR) 

A partir da lógica de pesquisa descrita, foram elaboradas diferentes sintaxes para a realização de buscas avançadas em cada base de conhecimento de acordo com as particularidades relativas de cada uma delas, verificadas na Tabela 2.

Tabela 2: Elementos da pesquisa, seus sinônimos conectados por operadores booleanos e as sintaxes das bases de conhecimento 

Ao realizar a pesquisa com os quatro construtos do estudo e seus sinônimos nas bases selecionadas, obteve-se como resultado um número pequeno de publicações, conforme primeira linha da Tabela 3, o que reforça a relevância de realizar pesquisas que trabalhem simultaneamente com os elementos (1) resiliência, (2) acidente de trânsito, (3) resiliência familiar e (4) rede de apoio. Uma forma de aprofundar a investigação sobre essa questão foi realizar novas pesquisas combinando os quatro construtos em grupos de três em três, ou seja, com quatro combinações (1, 2, 3); (1, 2, 4); (2, 3, 4,) e (1, 3, 4). Adicionalmente, foi realizada uma pesquisa com a combinação dos dois principais constructos, (1) Resiliência e (3) Acidente de Trânsito. Como previsto as pesquisas realizadas com essas combinações geraram um número maior de resultados quando comparados a pesquisa realizada com os quatro elementos simultaneamente, conforme Tabela 3.

Tabela 3: Quantidade de estudos resultantes das buscas nas bases de conhecimento com diferentes combinações dos elementos de pesquisa. Sendo 1: Resiliência, 2: Resiliência Familiar, 3: Acidente de Trânsito e 4: Rede de Apoio. 

Os critérios de inclusão definidos para a seleção dos artigos foram: publicações realizadas nos dez últimos anos, com temas relacionados às vítimas (gravemente lesionadas) de acidentes de trânsito em um contexto de pós acidente, que identificasse processos de resiliência individual e/ou familiar e o do papel das redes de apoio.

Para a seleção dos estudos, quatro etapas foram executadas: (i) remoção de material duplicado; (ii) exclusão dos estudos que não tratavam de acidente de trânsito; (iii) análise de título da publicação; (iv) análise de resumo.

Após a eliminação dos estudos duplicados, o primeiro critério de exclusão aplicado foi a retirada dos estudos que não tratavam de acidentes de trânsito. Conforme a Tabela 3 fica demonstrado que a combinação com maior quantidade de publicações (1, 2, 4), associa resiliência, resiliência familiar e rede de apoio, sem no entanto, incluir o elemento e contexto da pesquisa Acidente de Trânsito. Como este é um dos elementos principais do estudo, essa combinação foi excluída no critério de seleção.

Em seguida, na análise de títulos foram realizadas exclusões de estudos que já indicavam no título não tratarem de vítimas de acidentes de trânsito, resiliência individual e ou familiar e redes de apoio em um contexto pós acidente. Finalmente, foi realizada a análise dos resumos com a participação de três juízes, que em consenso, excluíram os estudos não focados em resiliência (psicológica) individual e ou familiar e redes de apoio de vítimas de acidentes de trânsito com lesões graves. Foram excluídos também os estudos que tratavam prevenção de acidentes de trânsito. A quantificação destas etapas de exclusão pode ser verificada na Figura 2.

Figura 2: Estratégia de Pesquisa, fluxograma de seleção e exclusão dos estudos 

Estágio 3: Coleta de dados

A extração e análise dos estudos selecionados baseou-se no protocolo de Souza, da Silva e de Carvalho (2010), que foi adaptado para essa pesquisa. A análise e síntese dos dados extraídos foram realizadas de maneira descritiva, o que possibilitou observar, descrever e classificar as informações com o objetivo de reunir o conhecimento produzido em relação ao tema explorado na revisão. A utilização desse instrumento possibilitou identificar e categorizar nos estudos características como tipo de publicação, ano, autores, países, delineamento metodológico, amostra entre outras informações verificadas na Tabela 4.

Tabela 4: Informações extraídas com aplicação do Instrumento de coleta de dados (Souza et al., 2010) dos estudos selecionados 

Resultados

Estágio 4: Análise de dados

Foram selecionados nessa revisão 12 estudos publicados nos últimos 10 anos sendo 84% (10) artigos, 8 % (1) livro e 8 % (1) uma tese. Dos 12 estudos selecionados, 58 % (7 estudos) estavam indexados na base da base APA, 25 % (3) na PubMED e 17 % (2) na Web of Science. Vale ressaltar que um mesmo artigo poderia estar em mais de uma base ao mesmo tempo. Em relação a essa análise, dos 7 estudos identificados na APA, 1 também estava presente na PubMED, 1 na Web of Science, e um outro estava presente nas três bases ao mesmo tempo (Wu et al., 2016).

Do material analisado a maior concentração de publicações foi entre os anos de 2014 e 2016, ou seja, 50 % da base de dados. No que se refere ao idioma, 83 % (10 estudos) eram publicações escritas em inglês, uma em espanhol e outra em francês. Os estudos selecionados estavam distribuídos em 8 países, sendo a Austrália com a maior concentração de publicações 3 dos 12 estudos, seguida de Estados Unidos e China com 2 publicações cada. Os outros 5 estudos estavam distribuídos entre Noruega, Canadá, Suécia, Israel e Espanha.

Como instituição sede do estudo, 75 % (9) foram realizados em Universidades, os 3 estudos restantes foram oriundos de Pesquisa Multicêntrica. Skogstad et al. (2014) foi resultado de uma pesquisa conjunta entre um hospital e duas universidades, Wu et al. (2016) foi desenvolvido por 2 universidades e 2 centros médicos. Por fim, Migliorini et al. (2019) realizado por duas universidades e um instituto médico.

Em relação ao tipo de publicação foi verificado que 50% (6) dos estudos eram provenientes da área médica, 42 % (5) da psicologia e 8 % (1) da enfermagem. No que diz respeito às características metodológicas dos estudos analisados, 67 % (8) foram pesquisas com um delineamento quantitativo, 25 % (3) com delineamento qualitativo e 8 % (1) revisão de literatura.

Quanto ao tamanho da amostra das publicações, desconsiderando o estudo de revisão de literatura, foram verificados desde amostra com um único individuo (Chouinard et al., 2012) até estudos com amostras superiores à mil participantes (Grant et al., 2014; Wu et al., 2016). A média da quantidade de amostra dos 11 estudos é de M= 281 participantes com um DP= 380. Como esperado, os três estudos qualitativos (Chouinard et al., 2012; Doohan et al., 2018; Peed, 2010) são os que apresentam as menores quantidades de participantes, sendo um estudo com uma única amostra (Chouinard et al., 2012), outro com 8 participantes (Peed, 2010) e, por fim um, estudo com 54 participantes (Doohan et al., 2018).

Em relação aos instrumentos foi possível verificar nos estudos quantitativos a utilização de escala, testes, questionários, e nos qualitativos entrevistas pessoais e telefônicas, grupos focais, e histórias de vida. Uma escala em especial foi identificada em três estudos consecutivos (Peed, 2010; Skogstad et al., 2014; Wu et al., 2016), trata-se da Connor-Davidson Resilience Scale - CD-RISC (Connor & Davidson, 2003).

Na busca de relações entre os 12 estudos selecionados, procurou-se identificar se algum autor estaria presente em mais de uma das publicações analisadas, o que não foi verificado, ou seja os 12 estudos foram elaborados por autores distintos. Foram encontradas similaridades regionais em que a Austrália apresentou o maior número de publicações (3 de 12). Os estudos australianos (Grant et al., 2014; Guest et al., 2016a; Migliorini et al., 2019) foram publicados em períodos distintos, em diferentes jornais, e tem como característica similar serem os três, estudos de delineamento quantitativo.

Discussão

Estágio 5: Apresentação da revisão integrativa

Foi objetivo do presente estudo mapear as pesquisas com foco nos processos de resiliência individual/familiar, o papel redes de apoio de acidentados de trânsito em contexto pós acidente e apresentar onde, quando, por quem esses estudos têm sido realizados e delineamento metodológico das publicações analisadas.

A análise das publicações selecionadas pelos critérios de inclusão evidenciou a escassez de pesquisas com foco em resiliência em fase pós-acidente de trânsito, lacuna essa, acentuada como um dos pressupostos dessa revisão. Essa hipótese pode ser evidenciada na Tabela 3, que demonstrou a baixa quantidade de estudos com os elementos resiliência e acidente de trânsito associados.

As definições de resiliência como mecanismo de ressignificação e superação em situações de sofrimento e adversidades (Masten, 2014; Pacico & Bastianello, 2014; Yunes, 2003) estão presentes como base dos resultados dos estudos selecionados, tanto qualitativos (Chouinard et al., 2012; Doohan et al., 2018; Peed, 2010) como quantitativos (Grant et al., 2014; Guest, Tran, Gopinath, Cameron, & Craig, 2016b; Migliorini et al., 2019; Rosenbloom & Perlman, 2016; Skogstad et al., 2014; Suriá, 2015; Wang, 2013; Wu et al., 2016).

No que se refere ao foco e aspectos metodológicos das investigações acerca do fenômeno da resiliência em contexto de acidentes de trânsito, os resultados demonstraram que a maioria dos estudos eram de delineamento quantitativo com foco em aspectos individuais. Isso está de acordo com os achados de Reppold et al. (2012) que constataram que muitos estudos na área da saúde analisam a resiliência como característica individual, ou traço de personalidade e que portanto, passível de mensuração.

Com relação a resiliência com foco na família, foi possível verificar que as publicações selecionadas que evidenciam com mais profundidade a importância do suporte e apoio da família são de delineamento qualitativo. No entanto, tanto os estudos qualitativos (Chouinard et al., 2012; Doohan et al., 2018; Peed, 2010) quanto estudos quantitativos (Migliorini et al., 2019; Suriá, 2015; Wang, 2013; Wu et al., 2016) demonstraram que independentemente dos instrumentos utilizados o apoio social e o suporte da família são aspectos importantes na recuperação da vítima e demais envolvidos. Tais resultados corroboram com estudos de Walsh (1996, 2016); Yunes (2015); Yunes et al. (2005) em que verificaram que as redes de apoio, cuidado, proteção e o suporte da família contribuem para uma adaptação positiva dos envolvidos frente a nova realidade.

Importante ressaltar que o único estudo resultante da busca simultânea dos quatro elementos de pesquisa, foi o trabalho de Wang (2013) na China. Este pesquisador demostrou resultados de resiliência individual e familiar em pacientes acidentados na situação pós-trauma. De acordo com Wang (2013), os resultados positivos estão intimamente associados à qualidade do convívio social com familiares acolhedores, incluindo a presença de um cônjuge. A coesão familiar e a resiliência também são ressaltadas no trabalho de Migliorini et al. (2019), que embora não trabalhe com foco nos quatro aspectos mencionados acima, demonstra que os resultados saudáveis de desenvolvimento do acidentado relaciona-se ao ajuste positivo no sistema de crenças e reorganização da dinâmica familiar.

Em relação a rede de apoio, os estudos demonstraram que a existência do suporte social e da rede de atendimento contribuem para a recuperação da vítima e da família em diferentes setores de suas vidas no contexto pós acidente. Esses resultados foram mais evidentes no estudo de Barajas e Schechinger (2018); Migliorini et al. (2019) que identificaram que quanto mais presente e ordenada é a rede de apoio e atendimento maiores serão as chances de processos de recuperação, ressignificação e aumento na qualidade de vida da vítima e da família. Nesse sentido foi possível verificar que tais resultados corroboraram os com estudos de Amparo et al. (2008), que constataram que os processos de resiliência estão intimamente ligados a presença e qualidade das redes de apoio social. De acordo com Walsh (2016) tais processos são mais ativos, efetivos e duradouros quando as redes de apoio, cuidado e proteção trabalham juntas e em consonância com uma determinada população.

Conclusão

Tendo em vista que os acidentes de trânsito com vítimas gravemente lesionadas representam um problema de ordem mundial, fica demonstrado nessa revisão o baixo número de pesquisas e publicações que têm como foco simultâneo os aspectos saudáveis de resiliência individual e familiar e o papel de proteção das redes de apoio. Além disso, foi detectado que as pesquisas com delineamento qualitativo aparecem em número reduzido quando se trata desses temas. Isso pode dificultar a compreensão das complexidades do fenômeno de resiliência como sistêmico, relacional e ecológico. Ademais, a ausência de publicações com os descritores utilizados na pesquisa na base SciELO indicou que esses estudos não têm sido publicados na América Latina.

Importante ressaltar que pesquisas futuras sobre os assuntos discutidos nessa revisão, ao priorizarem o fenômeno da resiliência, devem investigar aspectos da saúde e dos processos de adaptação positiva de indivíduos e famílias. Focar as singularidades das adversidades inerentes aos ajustes necessários e decorrentes de um acidente de trânsito é primordial para a compreensão de cada etapa adaptativa. Além disso, a associação e o mapeamento com a identificação dos pontos de atendimento e cuidado específico da rede de apoio e proteção a essas populações é outro elemento fundamental para que se possa oferecer subsídios para formulação de políticas públicas de qualidade.

Espera-se que os resultados desse estudo possam provocar reflexões teóricas e metodológicas acerca de resiliência como fenômeno humano, comunitário e político. Em conclusão, almeja-se contribuir com conhecimento científico que indique novos caminhos e estratégias para futuras pesquisas e intervenções que garantam o bem-estar de pessoas que passam pelo sofrimento de um acidente de trânsito com lesões severas.

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Correspondência:Como citar este artigo:Participação dos autores:Editora científica responsável:

Recebido: 28 de Março de 2020; Aceito: 10 de Maio de 2021

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