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Ciencias Psicológicas

versión impresa ISSN 1688-4094versión On-line ISSN 1688-4221

Cienc. Psicol. vol.13 no.1 Montevideo jun. 2019

http://dx.doi.org/10.22235/cp.v13i1.1806 

Artigos Originais

Sexting na adolescência: percepções dos pais

1Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Brasil papoparalelo@gmail.com Correspondência: Andre Tavares Cardoso, Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Av. Unisinos, 950 Bairro Cristo Rei, São Leopoldo/RS CEP: 93.022-750 Rio Grande do Sul, Brasil.

Resumo:

Sexting é o comportamento de produzir e enviar ou receber conteúdo sexual. As pesquisas se concentram em estudar o sexting entre adolescentes, deixando de fora aspectos familiares. No Brasil, esses estudos ainda são escassos. Portanto, o objetivo desta pesquisa qualitativa e descritiva foi conhecer a percepção de pais de adolescentes sobre o sexting. Foram realizados dois grupos focais com pais em uma escola pública. Após a análise de conteúdo, os resultados revelaram que os participantes estavam cientes do sexting, mas não sabiam como lidar com o envolvimento dos filhos. A maior preocupação era com a exposição, e não com o envolvimento em sexting. A importância da comunicação familiar é destacada. Propõe-se que intervenções sejam desenhadas para melhorar a comunicação entre os subsistemas familiares e pesquisas com adolescentes para investigar como eles entendem e lidam com o fenômeno

Palavras-chave: sexting; adolescência; família; psicologia sistêmica

Introdução

O comportamento de produzir e enviar ou receber conteúdos sexuais pela internet é definido na literatura como sexting. Trata-se da contração das palavras em inglêssex- sexo - e texting- enviar mensagens de texto pelo celular. Esse fenômeno vem recebendo atenção dos pesquisadores devido ao aumento do uso de celulares e smartphones, especialmente pelos jovens. O que as pesquisas mostram é que a maioria dos adolescentes têm acesso à internet através do aparelho celular, o que torna o envolvimento em sexting muito fácil (Korenis & Billick, 2014; Rice et al., 2012; Strassberg, McKinnon, Sustaíta, & Rullo, 2013).

Nos Estados Unidos, Korenis e Billick (2014) mostraram que, dentre os adolescentes de 12 a 17 anos de sua pesquisa, a maioria (84%) possuía aparelho celular e o utilizava em média 50 horas por semana, a metade enviava e recebia cerca de 50 mensagens de texto e um terço deles uma média de 100 mensagens por dia através das diferentes redes sociais da internet. Já no Brasil, um levantamento feito em 2013 pela Secretaria Nacional da Juventude (SNJ) para analisar o perfil dos jovens brasileiros, mostrou que 80% deles usavam computadores e internet, sendo que 89% tinham celular, que em 2014 tornou-se o meio mais utilizado para acessar a internet (IBGE, 2016).

Essa intensidade e velocidade com que os jovens utilizam as tecnologias de comunicação, em especial o smartphone, podem trazer consigo alguns riscos, como por exemplo, a exposição da vida íntima publicamente (Assunção & Matos, 2014). Em Los Angeles, adolescentes com idades entre 12 e 18 anos, revelaram usar as redes sociais diariamente por tempo indeterminado e conheciam alguém envolvido em algum tipo de exposição de fotos ou vídeos íntimos na internet (Rice et al., 2012). No ano de 2009, a consequência desse tipo de exposição foi trágica para a família de uma jovem americana. Conforme noticiado pela Cable News Network - CNN - (How to have sexting, 2016) a jovem tirou a própria vida depois de ter suas fotos nuas publicadas na internet. O mesmo aconteceu no Brasil, nos Estados do Piauí e do Rio Grande do Sul onde, por causa da exposição que sofreram nas mídias sociais, duas jovens cometeram suicídio. Ambas tiveram imagens íntimas suas compartilhadas na internet sem seus consentimentos (Zylberkan, 2013).

Quanto às razões que levam os adolescentes a se envolverem em comportamentos de sexting, jovens mexicanos citaram problemas de identidade sexual, baixa autoestima, perceber-se socialmente discriminado, ser aluno novo na turma, tentar impressionar a outro com uma prova de amor e que a internet poderia suprir suas curiosidades sobre sexo (Mejía-Soto, 2014). De forma semelhante, jovens de 20 países europeus citaram a idade, busca por novas sensações e frequência de uso da internet como fatores que levam ao sexting em todos os países pesquisados, sendo os meninos mais envolvidos do que as meninas (Baumgartner, Sumter, Peter, Valkenburg, & Livingstone, 2014; Walrave, Heirman, & Hallam, 2014). Esse resultado em relação ao gênero foi também descrito em outros estudos (Morelli, Bianchi, Baiocco, Pezzuti, & Chirumbolo, 2016; Rice et al., 2012; Van Ouytsel, Van Gool, Ponnet, & Walrave, 2014).

Entretanto, em relação à idade, não há consenso na literatura se são os adolescentes mais novos os mais envolvidos em sexting. Na Inglaterra, os adolescentes mais velhos comparados aos mais novos estiveram mais envolvidos no fenômeno (Livingstone & Görzig, 2014). O mesmo foi encontrado no estudo já mencionado de Rice et al. (2012). Em contrapartida, nos EUA o sexting foi bastante prevalente entre os menores de 14 anos (Rood, Thackeray, Letson, Leder, & Berlan, 2015). Sendo assim, cabe pensar quais outros fatores influenciariam o envolvimento dos adolescentes em sexting. Por exemplo, a literatura mostra que, de forma geral, os comportamentos dos pais influenciam os dos filhos (Ferreira, Nelas, Duarte, Albuquerque, Grilo, & Nave, 2013; Toni & Silvares, 2013; Moscoso-Alvarez, Rodríguez-Figueroa, Reyes-Pulliza, & Colon, 2016) e isso leva a questionar se o mesmo aconteceria em relação ao sexting.

Apesar de existirem estudos associando aspectos sistêmicos familiares e comportamento dos adolescentes, eles não focam especificamente o sexting. Por exemplo, Moscoso-Alvarez et al. (2016) pesquisaram a relação entre aspectos familiares e a saúde mental de adolescentes de Porto Rico, indicando que a família, especialmente a comunicação entre pais e filhos, teve um papel importante na saúde mental dos adolescentes. Portanto, uma vez que a literatura aponta que a comunicação entre os subsistemas na família é fundamental para uma boa interação entre eles (Nichols & Schwartz, 2007; Vasconcellos, 2013) e que o diálogo com os pais tem efeito protetor na vida dos adolescentes (Gomide, Salvo, Pinheiro, & Mello, 2005; Tomé, Camacho, Gaspar De Matos, & Diniz, 2011) , pode-se questionar se o mesmo acontece em relação ao sexting, isto é, se a comunicação entre pais e filhos está associada ao envolvimento destes no fenômeno.

De forma semelhante, Lam e Wong (2015) estudaram a influência dos fatores parentais no vício de internet dos filhos. Os autores concluíram que a saúde mental dos pais e seus comportamentos na internet influenciam o vício de internet dos filhos. Ainda na China (Chang et al., 2015), o maior monitoramento, colocação de regras e promoção da educação para o uso seguro da internet pelos pais estiveram negativamente associados ao Cyberbullying, que é a prática de utilizar a internet para excluir socialmente, insultar, ofender, embaraçar, molestar, ameaçar ou envergonhar outra pessoa (Korenis & Billick, 2014; Sampasa-kanyinga & Hamilton, 2015). Por fim, Li, Li e Newman (2013), ao estudarem uso problemático de internet entre adolescentes e comportamento dos pais, também relataram algo semelhante.

Tais resultados, porém, se referem ao contexto chinês, mas e quanto ao brasileiro? Qual a compreensão que os pais têm de sua influência sobre o que os filhos fazem na internet e, especialmente, sobre o envolvimento em sexting? É importante observar que os estudos apresentados até aqui se referem à literatura internacional, pois no Brasil eles ainda são escassos. Em uma busca feita no portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) com os descritores “sexting” AND “adolescente” AND “família”, não foram identificados estudos nacionais. Entretanto, algumas pesquisas têm se dedicado a investigar os comportamentos dos adolescentes, seu padrão de uso da internet e as possíveis associações a fatores familiares, com os quais se pode fazer uma aproximação ao fenômeno do sexting.

Por exemplo, Terres-Trindade e Mosmann (2015) apontaram que o conflito entre mãe e filho(a) está relacionado ao vício de Internet e que o suporte emocional materno parece servir de proteção contra o surgimento de tal vício. Entretanto, a prática de controle excessivo do uso da internet e os consequentes desentendimentos familiares não diminui a dependência, mas a fomenta. Além disso, os jovens perceberam o controle dos pais sobre o uso da internet como negativo. As autoras sugerem que é importante estar atento ao papel dos pais como associado ao surgimento da dependência de internet.

Na mesma direção, Toni e Silvares (2013) pesquisaram a influência direta das práticas educativas parentais sobre os comportamentos de proteção e risco à saúde em adolescentes de escolas públicas dos estados do Paraná e São Paulo. Eles revelaram que as práticas parentais são preditoras de competência social, internalização e externalização, além de serem determinantes de comportamentos de risco e proteção à saúde dos adolescentes. Entretanto, no contexto brasileiro, os estudos indicam que as práticas de acompanhamento dos pais daquilo que os filhos fazem na internet (Spizzirri, Wagner, Mosmann, & Armani, 2012) e de diálogo entre pais e adolescentes sobre dificuldades cotidianas são escassas (Reis, Almeida, Miranda, Alves, & Madeira, 2013). Talvez, como foi descrito em um estudo na Colômbia, essa carência de comunicação faça com que os adolescentes se sintam sozinhos para a resolução dos seus problemas (Loaiza, Martinez, & Klimenko, 2017), facilitando seu envolvimento em sexting. Assim, pode-se pensar que a atitude dos pais e o modo como monitoram o comportamento virtual dos filhos influencie o envolvimento destes no fenômeno.

Em resumo, devido às consequências emocionais, psicossociais e legais do envolvimento em sexting, é importante para adolescentes, pais, educadores e terapeutas entenderem este fenômeno e seu impacto na vida dos jovens. Adiciona-se a isso o fato de que, além de não terem sido localizados estudos brasileiros sobre o sexting, as pesquisas internacionais abordam quantitativamente, de forma geral, aspectos voltados à individualidade dos adolescentes. Assim, ainda se carece de estudos nacionais que se aproximem de forma exploratória e qualitativa acessando outros construtos que podem estar relacionados e repercutir no envolvimento do adolescente em sexting, como por exemplo, o papel das relações familiares. Portanto, o objetivo do presente estudo foi conhecer a percepção dos pais de adolescentes acerca do comportamento de sexting em adolescentes.

Método

Delineamento

Foi feita uma pesquisa qualitativa (Creswell, 2010), de caráter exploratório e descritivo para entender os significados individuais ou coletivos que as pessoas atribuem a determinados fenômenos e o que estes representam (Gibbs, 2009; Turato, 2008).

Participantes

Os participantes foram cinco pais e doze mães de adolescentes (Brasil, 1990) com faixa etária entre 12 e 18 anos de uma escola pública da região metropolitana de Porto Alegre, com ou sem envolvimento em sexting, de conhecimento dos pais. Os indivíduos foram selecionados por meio de divulgação da pesquisa na escola e também por indicação. Aqueles que aceitaram foram convidados a compor dois Grupos Focais.

Instrumentos

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram um questionário sociodemográfico para caracterização dos participantes, elaborado pelos autores, e o Grupo Focal (Flick, 2009; Minayo, Souza, Constantino, & Santos, 2008). Foram utilizadas as seguintes questões temáticas disparadoras: 1) O que você conhece sobre sexting? 2) Quais seriam os motivos que levam os adolescentes a se envolverem sexting? 3) Alguém já vivenciou ou conhece alguma família que experienciou envolvimento dos filhos em sexting? Quais foram as consequências percebidas? Como reagiriam se acontecesse com seus filhos? 4) O que você pensa sobre as consequências do sexting dos filhos para a família? 5) Como você percebe a relação entre o seu próprio comportamento virtual, o tipo de monitoramento sobre a vida virtual dos filhos e o sexting ?

Procedimentos de coleta e análise dos dados

Após o fornecimento de autorização escrita por parte da direção da escola e da aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Unisinos, sob o parecer CAAE 62448016.7.0000.5344 para a realização da pesquisa, fez-se a divulgação da proposta para os pais. No total 32 pessoas manifestaram interesse e se inscreveram na secretaria da escola. A explicação dos objetivos e as etapas da pesquisa foram fornecidas por meio de telefonema. Dentre os pais que concordaram participar, o pesquisador então procedeu um sorteio para compor os grupos. Em seguida, comunicou aos participantes a data e o horário para virem até a escola. Compareceram sete pessoas no primeiro dia e 12 no segundo.

As etapas dos grupos focais com os pais foram: (a) Acolhimento; (b) Abertura - apresentações, assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (Apêndice III), informações gerais sobre os objetivos do encontro e sobre como ele ocorreria; preenchimento do questionário sociodemográfico (c) Aquecimento - leitura de uma reportagem ilustrativa de sexting para introdução à discussão (Vítimas de vazamentos de Nude Selfies, 2014); (d) Discussões Temáticas (e) Encerramento. O pesquisador esteve atento para que todos os integrantes do grupo expusessem seus pontos de vista e interagissem nos debates (Flick, 2009). As conversações dos participantes foram registradas em áudio e vídeo. Todas as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos foram respeitadas, conforme orientações da Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. As conversações do grupo focal foram examinadas utilizando-se o método de análise de conteúdo (Bauer, 2008).

Os dados foram agrupados em categorias a posteriori (Gibbs, 2009) e discutidos à luz da teoria sistêmica (Nichols & Schwartz, 2007). A partir da análise de conteúdo e após a saturação dos dados, formaram-se as seguintes categorias: Fatores associados ao sexting; consequências para o adolescente; consequências para a família e; formas de lidar com o sexting.

Resultados

Grupo A: O grupo A foi composto por quatro mães e três pais e não havia casais no grupo. Quando foi perguntado se conheciam o termo sexting, todos foram unânimes em dizer que não. Porém, quando o pesquisador perguntou se conheciam o comportamento dos adolescentes de enviar e receber conteúdo sexual pela internet, todos responderam que sim e que percebem que o fenômeno é comum. Para eles, a maior preocupação era com a exposição do adolescente caso houvesse compartilhamento do sexting, como disse a Mãe A1: “o problema é eles começarem a repassar”.

Uma característica relevante do Grupo A foi que uma das mães participantes - a Mãe A2 - compartilhou a própria experiência do envolvimento da filha em sexting. Tal compartilhamento fez com que os participantes agissem de forma empática com a Mãe A2, numa tentativa de acolhimento e proteção.

Grupo B: O Grupo B foi composto por oito mães e dois pais, dentre os quais havia um casal, a saber, o Pai B2 e a Mãe B7. Os participantes relataram não conhecer o termo sexting. Porém, todos disseram conhecer o comportamento dos adolescentes de receber ou enviar conteúdo sexual. Os participantes desse grupo também disseram não ser tanto o envolvimento dos filhos em sexting o que mais preocupa, mas sim a exposição pública, caso o conteúdo viesse a ser compartilhado na internet, como disse a Mãe B3: “se vazar sim, mas se não vazar(...) se ficar só entre eles, eu acho que coisa íntima deles, beleza!” e também a Mãe B5: “naquele momento sim, só que amanhã eles brigam e a outra parte vai usar daquilo pra se vingar”.

Fatores associados ao sexting

Quanto aos fatores que levam os adolescentes a se envolverem em comportamentos de sexting, os participantes de ambos os grupos citaram a busca por popularidade como principal fator associado ao envolvimento. Isso apareceu em frases como da Mãe A1: “Foi uma promoção pro menino, né (...) ele quis se promover”. Também da Mãe B3: “ é um exibicionismo!”.

Em seguida aparecem questões vinculadas ao desenvolvimento: a influência de outras pessoas, como os pares e a mídia, a imaturidade e a curiosidade. Esses conteúdos são expressos em falas como as do Pai A2: “eu acho que o que leva são amizades diferentes”; do Pai A3: “Ele nasceu nessa tecnologia. (...) vê um Big Brother. Aí tá lá aquela mulherada lá... tomando banho, filmando(...)”; da Mãe A1: “agradar o outro eu acho. No grupo, né?”.

Sobre a influência de outras pessoas, chama atenção que os pais, tanto do Grupo A quanto do B, também disseram que tentar agradar o(a) namorado(a) seria um fator que leva ao sexting. Isso pode ser percebido nas falas da Mãe A2: “ele (namorado) entrou na mente dela. Foi induzindo ela e ela mandou as fotos” e B5: “tentar agradar o parceiro”.

Os pais dos dois grupos também pensam que a imaturidade dos adolescentes é um importante fator que leva ao sexting, como disse o Pai A1: “Eu acho que eles ainda não têm essa maturidade de pensar”; a Mãe A1: “Assim, não tem essa maturidade”; e a Mãe B1: “Mas (...) são crianças”. Ainda, a curiosidade é apontada por todos os pais como tendo um papel importante. Eles dizem: Pai A2: “Bate aquela sede de ver uma mulher pelada, um homem pelado, entendeu?”; e a Mãe A2: “curiosidade!”; e ainda o Pai B1: “eles têm uma curiosidade”.

Em relação a como o monitoramento pelos pais do que os filhos fazem na internet pode repercutir no envolvimento dos filhos em sexting, houve divergência nas opiniões entre os pais nos dois grupos. Há pais que relataram a necessidade de muito controle, como identifica-se nas seguintes falas: Mãe A2: “Tem que participar de tudo ali” e a Mãe B4: “tem que olhar sempre” e o casal formado pela Mãe B7 e Pai B2: “a gente tá sempre em cima deles”. Por outro lado, diferentes pais disseram que tal monitoramento é fomentador, como relata a Mãe A5: “Só que é aquela coisa: se tu forçar eles fazem escondido”; e a Mãe B5: “às vezes tu proíbe(...) ela vai tentar fazer”. Há também alguns pais que apontaram que a sua falta de monitoramento levaria ao envolvimento em sexting, como disse a Mãe A2: “Só que a gente fica relapso. Tu não vai lá tá do lado dela”

Quanto ao comportamento dos pais na internet, os participantes de ambos os grupos disseram que ele se relaciona ao envolvimento em sexting dos filhos. Eles concordaram que os responsáveis devem dar o exemplo aos filhos sobre quais comportamentos seriam corretos e quais não. No Grupo A, a Mãe A3 compartilhou que a filha pegou o celular do pai e visualizou conteúdo sexual que o mesmo recebera de colegas de trabalho: “Aí ela pegou e disse: ‘nossa, que tanto vídeo pornô que o pai tem naquele celular. Que vergonha, né pai!’”. A mãe disse que repreendeu o companheiro, exortando-o sobre a necessidade de dar o exemplo. Isso foi endossado pela Mãe A2: “tu tem que ter o respeito em casa pra passar pra elas”; e pelo pai A1: “ensinar teu filho a respeitar a nudez, ou respeitar outra pessoa”.

Os participantes do Grupo A relataram que o exercício da autoridade e a colocação de regras pelos pais quanto ao uso da internet seriam preventivos ao sexting. A Mãe A1 disse: “Acho que o pai tem que se impor”, o que foi apoiado pelo Pai A3: “Não, eu sou autoridade na minha casa”, referindo-se a como conduzir o uso da internet na família.

Por fim, os participantes do Grupo B disseram que ampliar as oportunidades de os adolescentes se ocuparem em outras atividades além da internet ajuda a prevenir o envolvimento em sexting. Segundo eles, “dar tarefas aos filhos e ocupar a mente deles”, conforme a Mãe B7 e “oferecer um outro caminho”, segundo a Mãe B5 são maneiras de prevenção. Também concordaram que a ausência dos pais em casa quando vão para o trabalho facilita o envolvimento dos filhos em sexting, pois, como disse a Mãe B7, a ausência dos pais “deixa os filhos muito livres”.

Consequências para o adolescente

Quanto às consequências que o envolvimento em sexting traz para os adolescentes, os participantes dos dois grupos relataram como prejudicial a exposição pública, como falou o Pai A1: “tipo uma foto dela cair no mundo e aparecer num site pornô. Ou os amiguinhos da própria turma da sala espalhar pra escola toda”; a Mãe A2: “Tooodo mundo ficou sabendo!” e a Mãe B3: “E se vazar? Esse é o medo da internet hoje”. Outras consequências prejudiciais apontadas seriam o aparecimento de sintomas internalizantes, como tristeza e isolamento, conforme relata a Mãe A2: “teve (consequências) psicologicamente. Daí ela chorou um monte, me contou e ficou isolada”. Também o desencadeamento de vergonha, depressão e de sofrer bullying, como ilustram as palavras da Mãe A1: “Vergonha, depressão, ser tachado”; da Mãe B3: “vergonha, né” e Mãe B5: “ser ridicularizado”.

Consequências para a família

A Mãe A2 relatou como consequências para a família do adolescente envolvido em sexting o aparecimento de culpa: “é a gente que é culpado. Eu me sinto culpada”; raiva: “deu vontade de dar (bater) nela. Porque com a raiva que eu tava na hora”; e tristeza: “Chorei bastante”. Tais relatos foram corroborados pelos demais pais do Grupo A, que descrevem ainda o julgamento por parte dos amigos e parentes como consequência para a família, conforme o Pai A1: “ah, daí vão cair de pau em ti”; a Mãe A2: “Isso aí! A família (...) eles condenam primeiro”. Entretanto, os participantes do Grupo B apenas relataram a vergonha como consequência para a família, como disse a Mãe B3: “a vergonha que passa a família”.

Um aspecto unânime relatado pelos participantes dos dois grupos foi que o envolvimento em sexting leva a família a ter que lidar com questões legais, como o envolvimento em polícia. Foi o que demonstraram as falas da Mãe A2: “Tive que dar parte na delegacia”; e da Mãe B5: “Aí tu vai na polícia”.

Formas de lidar com o sexting

Em relação às formas de lidar com o envolvimento dos filhos em sexting os pais dos dois grupos disseram não saber como proceder. Isso foi apontado nas falas da Mãe A2: “Só que tu não sabe o que fazer”; do Pai A1: “É que nem tu sabe o que tu vai fazer” e da Mãe B3: “não tem como a gente saber o que fazer”.

Entretanto, os pais consideraram o diálogo com o adolescente e o apoio emocional como as formas com as quais lidariam com a situação, como se pode ver nas falas do Pai A3: “tu tratar com carinho”; da Mãe A3: “eu converso com ela”; “eu vou dar todo o apoio pra minha filha”.

Discussão

Tanto os participantes do Grupo A quanto do B disseram conhecer o comportamento de produzir e enviar ou receber conteúdo sexual pelos adolescentes, apesar de não se referirem ao fenômeno pelo nome de sexting. De forma geral, a percepção dos pais foi de que se trata de um fenômeno comum e atual. Essa percepção se coaduna com os resultados de Rice et al. (2012), que relataram alta taxa de envolvimento dos adolescentes de seu estudo. Entretanto, a maior preocupação dos pais pareceu ser, na verdade, não a prática do sexting em si, mas sim da exposição do adolescente, caso o conteúdo venha a se tornar público. Esse medo da exposição pública também foi descrito por Assunção e Matos (2014).

Também, é relevante observar a participação, no Grupo A, da mãe que compartilhou a experiência de envolvimento da filha em sexting e a consequente exposição pública das imagens. O que os resultados mostram é que, de fato, o vazamento das imagens foi que trouxe problemas à essa família e não a prática do sexting. Além disso, esse relato de experiência talvez tenha reverberado (Yalom, 2000) no Grupo A e influenciado as conversações dos participantes, pois eles podem ter se contido em seus comentários numa tentativa de não ferir a Mãe A2. O que é exemplificado em falas do tipo “eu choraria também” (Pai A1) e “tu não pode te culpar” (Pai A3). Entretanto, o mesmo não ocorreu no Grupo B, pois não houve relato de experiência de nenhum dos participantes, o que deu a eles maior liberdade, tanto para se expressarem mais abertamente quanto a falarem de forma mais hipotética: “se acontecesse comigo eu...”. Apesar disso, a preocupação recaiu também sobre o medo da exposição pública e não sobre o envolvimento dos filhos em sexting.

Os pais relataram que a curiosidade e tentar impressionar a outro, como o(a) namorado(a), por exemplo, através do envio de imagens sexuais seriam fatores que conduziriam o adolescente ao sexting. Esse aspecto é apoiado pelos resultados do estudo com jovens mexicanos (Mejía-Soto, 2014). Da mesma forma, Walrave et al. (2014) descreveram que os amigos e os pares românticos são as maiores fontes de pressão para que os adolescentes se envolvam em sexting. Quanto à descrição de que a curiosidade seria outro fator que conduz o adolescente ao sexting, a mesma encontra eco no que foi descrito por jovens europeus (Baumgartner et al., 2014). Sendo assim, pode-se pensar que a curiosidade e a vontade de agradar o outro sejam características próprias da adolescência, as quais se manifestam também em outros comportamentos dessa fase da vida, como por exemplo, no uso de drogas (Reis et al., 2013) e podem não estar especificamente ligadas ao sexting.

Discute-se ainda que, os participantes disseram que o envolvimento em sexting serviria para os adolescentes satisfazerem a curiosidade sobre sexo. Nesse sentido, ressalta-se a importância da comunicação familiar acerca da sexualidade na adolescência. A literatura já demonstrou que o diálogo na família tem efeito protetor para os adolescentes (Gomide et al., 2005; Tomé et al., 2011). Entretanto, o diálogo entre pais e adolescentes, especialmente sobre assuntos de internet e sobre sexualidade, bem como monitoramento de suas atividades virtuais parecem não fazer parte das práticas de muitas famílias brasileiras (Spizzirri et al., 2012; Reis, et al. 2013).

Todos os participantes concordaram que os pais influenciam o que os filhos fazem na internet, tanto pela forma de monitoramento quanto por seus próprios comportamentos na internet, o que é confirmado pela literatura (Lam & Wong, 2015; Moscoso-Alvarez et al., 2016; Sampaio & Gomide, 2007; Toni & Silvares, 2013). Porém, quanto ao tipo de monitoramento dos filhos, a percepção deles oscilou entre dois extremos: o não monitoramento e o muito controle. Sobre esse último aspecto não há consenso entre os pesquisadores, como mostraram alguns estudos sobre vício de internet. Por exemplo, Chang et al. (2015) e Li et al., (2013) mostraram que o monitoramento restritivo dos pais reduziu o vício de internet nos filhos, já Terres-Trindade e Mosmann (2015) concluíram que o controle excessivo dos pais fomentou tal vício. Além disso, pesquisas brasileiras mostraram que os pais têm pouco ou nenhum conhecimento do que os filhos fazem quando estão conectados (Barbosa, 2015; Spizzirri, et al. 2012), confirmando, portanto, a percepção de alguns dos participantes de que o não monitoramento talvez seja um preditor de sexting.

Assim, pode-se pensar que através da aprendizagem social (Bandura, 1977) realmente o comportamento dos pais na internet possa servir tanto de estímulo, se os pais também trocam conteúdos sexuais, quanto de prevenção do sexting nos filhos. Através da observação daquilo que os pais compartilham na internet, não se restringindo a conteúdos sexuais, mas a naturalização da exposição de suas próprias vidas é possível que os filhos assimilem alguns comportamentos como permitidos e aceitos ou proibidos.

Diante de tudo isso, pode-se refletir sobre as características das fronteiras (Nichols & Schwartz, 2007) existentes entre os subsistemas pais-filhos. Parece que elas se encontram entre dois extremos na amostra investigada: rígidas ou difusas. A existência desses dois tipos de fronteiras entre pais e filhos explica porque os pais oscilam entre dois extremos: o monitoramento excessivo e o não monitoramento. As fronteiras difusas determinam que o espaço de um se funde no do outro e que os limites existentes na interação não estejam bem definidos. Isso leva ao emaranhamento nas relações, fazendo com que os pais invadam o espaço dos filhos e, assim, controlem de forma exagerada a vida deles, inclusive no ambiente virtual. Já as fronteiras rígidas estabelecem uma separação entre os subsistemas, onde existem barreiras intransponíveis e não há espaço para interações e trocas. A partir desse tipo de relação se compreende que o não monitoramento dos filhos faz com que estes possam sentir-se negligenciados e que os pais estejam desinteressados e distantes. Torna-se importante, assim, pensar estratégias mais equilibradas de interação, que possam se situar entre os dois pólos descritos pelos pais, mas sem serem extremistas, especialmente no desenvolvimento de fronteiras mais saudáveis, como as nítidas, onde há trocas entre os membros do sistema, mas também espaço para a individualidade (Vasconcellos, 2013).

Também em relação ao monitoramento, para os participantes do Grupo B, a ausência dos pais de casa quando vão para o trabalho deixa os filhos “muito livres” (Mãe B7). Para eles, essa falta da companhia dos pais abriria o caminho aos adolescentes para que se envolvam em sexting. Entretanto, talvez existam fatores que vão além do simples distanciamento físico dos pais, pois como foi descrito por Spizzirri et al. (2012), os adolescentes estão acostumados a utilizar a internet de forma solitária, em casa e sem o monitoramento dos pais, estando ou não estes presentes no lar. Talvez a questão principal não seja a distância física, mas sim a distância emocional dos filhos (Loaiza et al. 2017; Reis, et al. 2013), a qual pode fazer com que eles busquem suprir esse distanciamento com outras pessoas, como nos seus pares (Walrave et al., 2014), inclusive através do sexting, o que explicaria, também, a busca pela popularidade relatada nos grupos.

Dentre as consequências que o envolvimento em sexting traz para os adolescentes, os pais de ambos os grupos relataram como prejudiciais, além da exposição pública, o aparecimento de sintomas internalizantes, como tristeza, vergonha, isolamento e depressão. Talvez os pais se refiram a essas consequências não como decorrentes do sexting, mas sim da exposição pública, caso as imagens sejam compartilhadas. Essas percepções dos participantes não encontram apoio na literatura, pois o envolvimento em sexting aparece associado (Assunção & Matos, 2014; Temple, et al. 2014), porém não como preditor de tais sintomas.

Como consequências negativas para a família do adolescente, os pais do Grupo A citaram o aparecimento de culpa, raiva, tristeza e vergonha do julgamento por parte dos amigos e parentes. Novamente, essas percepções dos grupos não encontram amparo na literatura, com exceção do envolvimento em questões legais, como referiu a Mãe A2: “Tive que dar parte na delegacia”. Conforme Wolak et al. (2012), pelo fato dos adolescentes serem menores de idade, o envolvimento da família em questões legais é inevitável. Por outro lado, no Grupo B os participantes citaram apenas a vergonha como consequência para a família. Isso parece confirmar, realmente, o efeito da reverberação do relato de experiência da Mãe A2 no Grupo A, o que não ocorreu no Grupo B. Essas percepções dos pais, mais uma vez, conduzem a pensar que a maior preocupação deles seja a exposição pública não apenas do adolescente, mas da família toda, e não tanto a prática do sexting em si, o que impacta diretamente na falta do desenvolvimento de estratégias para lidar com o sexting.

Diante do exposto, é compreensível que, em relação às formas de como lidar com os adolescentes que se envolvem em sexting, os pais descreveram não saber como proceder. Essa desorientação também pode ser percebida pelas oscilações de opinião entre os participantes em vários momentos. Entretanto, todos concordaram que o diálogo e apoio emocional ao filho seriam imprescindíveis, o que parece recair em ideias de senso comum. Talvez esses manejos sejam difundidos como a forma geral pelas quais as famílias devem lidar em situações difíceis com os adolescentes, como sintomas depressivos (Moscoso-Alvarez et al., 2016), competências emocionais (Márquez-Cervantes & Gaeta-González, 2017), que se aplicam, também, para o sexting.

Tudo isso também reflete a percepção dos pais a respeito das formas de prevenção. Quanto a isso, os participantes de ambos os grupos acabaram repetindo o mesmo que disseram sobre os fatores que pensam ser preditores de sexting: o comportamento dos pais na internet, bem como o monitoramento da vida virtual dos filhos, a colocação de regras e autoridade imposta pelos pais. Uma exceção apareceu no Grupo B, que descreveu como importante ampliar o repertório de atividades às quais os filhos podem se envolver além da internet, para “ocupar a mente” (Mãe B7). Dentre tais atividades, foi citada a participação em projetos sociais, grupos religiosos ou culturais como preventiva ao envolvimento em sexting. Algo semelhante foi encontrado por Ruvalcaba, Gallegos, Borges e Gonzalez (2017) que descreveram que o pertencimento a tais grupos funciona como fortalecedor de inteligência emocional e resiliência em adolescentes, o que poderia tangenciar o envolvimento em sexting.

Apesar disso, chama a atenção que essas atividades propostas pelos pais como preventivas são voltadas para os filhos e não para a família. Elas parecem fortalecer ainda mais a permanência de fronteiras rígidas (Nichols & Schwartz, 2007) entre os subsistemas, significando que cada um tem seu próprio tempo e espaço onde devem circular, o que pode indicar aos adolescentes que devem procurar em outros espaços suprir suas demandas, como a curiosidade citada pelos pais. Todavia, a literatura aponta que as interações no ambiente familiar auxiliam no desenvolvimento de capacidades evolutivas dos adolescentes, como, por exemplo, da resiliência para lidar com situações de estresse (Dias & Cadime, 2017), como o sexting. Sendo assim, talvez o ideal seria pensar estratégias que envolvam todo o sistema familiar, no sentido de desenvolver formas criativas de interação e comunicação entre os subsistemas (Nichols & Schwartz, 2007).

Considerações Finais

Apesar de os resultados deste estudo mostrarem que o sexting entre adolescentes é um fenômeno conhecido pelos participantes, é importante notar que os pais perceberam o envolvimento de seus filhos no fenômeno como negativo. Embora a maioria perceba o sexting praticado pelos adolescentes como normal, devido às consequências do risco de exposição pública ele não é, portanto, um comportamento desejado por eles.

No entanto, ficou claro que não é o envolvimento dos filhos em sexting que traz maior preocupação aos pais, mas sim a exposição pública do adolescente, caso aconteça o compartilhamento não autorizado do sexting. Essas constatações servem para orientar pais, pedagogos e terapeutas, especialmente os de família, no sentido de compreenderem um pouco melhor os pensamentos e atitudes dos pais quanto ao fenômeno, mas também de proporem intervenções que visem melhorar a comunicação entre os subsistemas familiares, bem como a delimitação de fronteiras nítidas entre eles.

Além disso, a boa adesão dos pais ao estudo revela o desejo deles de um espaço para falar e receber orientação sobre o sexting. Talvez a falta de estratégias e a desorientação dos pais para lidar com o fenômeno possam ser utilizadas como atrativos para formar grupos de intervenção nas escolas, como por exemplo, convocar os pais para trabalhar estratégias preventivas em grupos de psicoeducação.

Por fim, cabe ressaltar que o presente estudo foi realizado apenas com os pais, deixando de fora aqueles que são os principais envolvidos com o sexting: os adolescentes. Portanto, a fim de compreender com maior amplitude o fenômeno e poder pensar formas de orientação para pais e filhos é importante a realização de pesquisas também com os adolescentes. Assim, sugere-se a realização de estudos tanto qualitativos, para se entender o que pensam os adolescentes sobre o sexting e como lidam com ele, quanto quantitativos, para se conhecer prevalências e associações com outros construtos.

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Nota: Participação dos autores: a) Planejamento e concepção do trabalho; b) Coleta de dados; c) Análise e interpretação de dados; d) Redação do manuscrito; e) Revisão crítica do manuscrito. A.T.C. contribuiu em a,b,c,d; D.F. em a,c,e; C.P.M. em a,c,e

Nota: Como citar este artigo: Cardoso, A. T., Falcke, D., & Mosmann, C. P. (2019). Sexting na adolescência: percepções dos pais.Ciencias Psicológicas, 13(1), 19-31. Doi: https://doi.org/10.22235/cp.v13i1.1806

Recebido: 07 de Março de 2018; Revisado: 14 de Dezembro de 2018; Aceito: 18 de Fevereiro de 2019

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