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Revista Uruguaya de Cardiología

versão impressa ISSN 0797-0048versão On-line ISSN 1688-0420

Resumo

MONTERO, Juan et al. Gênero e cirurgia de revascularização coronária. Resultados dos últimos 20 anos no Uruguai. Rev.Urug.Cardiol. [online]. 2026, vol.41, n.1, e201.  Epub 01-Dez-2026. ISSN 0797-0048.  https://doi.org/10.29277/cardio.41.1.1.

Introdução:

a cardiopatia isquêmica é a principal causa de morte em ambos os sexos, e a revascularização do miocárdio é o procedimento cardíaco mais realizado no mundo. As mulheres representam 20-30% das cirurgias de revascularização miocárdica (CRM) e costumam apresentar piores desfechos, incluindo maior mortalidade e complicações pós-operatórias como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM).

Objetivos:

avaliar os desfechos a longo prazo da CRM em mulheres e identificar fatores preditivos de má evolução.

Métodos:

estudo retrospectivo, observacional, aprovado por Comitê de Ética. Foram analisados dados do Fundo Nacional de Recursos correspondentes a 21.959 procedimentos de CRM isoladas realizadas no Uruguai entre 2003 e 2022. Variáveis quantitativas foram comparadas com teste t e variáveis categóricas com qui-quadrado. Resultados ajustados por variáveis demográficas por regressão logística e de Cox. Subanálises e interações foram feitas com teste de Mantel-Haenszel para cálculo de odds ratios. Significância estatística: 0,05.

Resultados:

a maioria das variáveis apresentou diferenças significativas entre os sexos. As mulheres tinham maior idade, diabetes, AVC prévio, dislipidemia, hipertensão, doença de 1 e 2 vasos, fração de ejeção, mais angina instável e EuroSCORE I mais alto. Também apresentaram maior mortalidade operatória (4,7% vs. 3,5%; p < 0,001), AVC (1,5% vs. 1,2%; p = 0,02) e IAM (3,2% vs. 2,3%; p < 0,001). A sobrevida ajustada não diferiu significativamente (HR = 0,96; IC 95%: 0,91-1,01; p = 0,11). A mortalidade operatória ajustada foi maior em mulheres (OR = 1,5; IC 95%: 1,27-1,73; p < 0,001).

Conclusões:

as mulheres submetidas à CRM apresentaram mais comorbidades e maior risco operatório, com mais mortalidade e complicações pós-operatórias. Porém, o sexo feminino não foi preditor independente de mortalidade a longo prazo.

Palavras-chave : GÊNERO; CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO; DESFECHOS ADVERSOS; MORTALIDADE.

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